“Vamos fazer muito mais”

Entrevista com o deputado e líder do governo Paulo Melo

Por Dulce Tupy. Fotos: Edimilson Soares

Em seu escritório, na sua residência, no Morro da Cruz, o deputado Paulo Melo recebe a equipe do jornal O Saquá, os jornalistas Dulce Tupy e Edimilson Soares, à noite. Falamos basicamente da administração pública, da sua posição como líder do governo do estado e dos últimos acontecimentos. Não é um balanço do governo de sua esposa e parceira há 21 anos: a prefeita de Saquarema Franciane Motta. Mas o deputado comentou o orçamento municipal, a política, a economia, o Polo Industrial, o choque de ordem, o concurso público, a construção da escola técnica, a enchente, o desabamento do cemitério, o stress do dia a dia e projetos futuros, como ser o presidente da Assembléia Legislativa. No meio da conversa, revela um sonho: o de Franciane Motta assinar em breve Franciane Melo, antecipando (?) a notícia do seu casamento. Paulo Melo é um homem hiperativo, sem tempo para firulas. Inteligência ágil, forjada no cotidiano da vida, vai direto ao ponto. Para ele tudo é ação.

O Saquá: O que foi feito de 2009 para cá e o que está sendo feito em Saquarema? Qual foi a grande mudança com o novo governo?

Paulo Melo: Em primeiro lugar, a mudança de postura, de práticas. Nós mudamos a concepção do uso do dinheiro público, porque não confundimos rede pública com rede privada. Tudo que está se arrecadando está sendo usado, efetivamente, para pagar serviços públicos e estamos economizando naquilo que é possível. Neste sentido, mudamos Saquarema. A diferença entre o orçamento que foi feito pelo prefeito anterior e o que se arrecadou de fato foi de 16 milhões de reais. O prefeito previu uma receita de 126 milhões de reais e nós só arrecadamos cerca de 110 milhões. Ele previu uma despesa de 126 milhões e nós gastamos muito menos! Nós gastamos 4.600 milhões em 2009; gastamos menos que em 2008. E fizemos coisas que não dá para comparar.

O Saquá: Onde foi essa economia?

Paulo Melo: Primeiro, na gasolina. Economizamos mais de 1 milhão de reais. Segundo, não pagamos para quem não trabalha. Terceiro, economizamos em telefones, que era uma farra na prefeitura. A prefeita Franciane tem um rádio para comunicação a um preço baratinho. Ela não usa telefone para ligar para qualquer lugar, para o exterior, para o Brasil. Para isso, ela usa o telefone da casa dela, quando precisa e, quando está trabalhando, usa o telefone do gabinete dela. Quando ela vai ao Rio de Janeiro, com o carro particular dela, ela coloca gasolina do bolso dela, do salário que recebe como prefeita. Então, nós economizamos nas compras e no desperdício. Tinha uma cooperativa que prestava serviço; apertamos o contrato, fazendo uma auditoria permanente. Portanto, a questão da mudança é o procedimento, a forma de gestão. Assim, a prefeita economizou 4.500 milhões de reais. Assim foi possível comprar um terreno, em Sampaio Correia, com 1 milhão de metros quadrados, onde as empresas estão se instalando.

O Saquá: É uma ampliação do Polo Industrial?

Paulo Melo: Não, o polo na verdade não existia! Os terrenos foram doados para amigos. A Franciane teve que resgatar um galpão que estava sendo vendido… Agora, a Prefeitura está comprando terreno para ceder às empresas que estão vindo se instalar. Além disso, estamos fazendo o hospital de Bacaxá, onde a contrapartida municipal é de 12%. Ou seja, além dos 30 milhões que o Governo do Estado vai gastar com o hospital, a prefeitura é obrigada a gastar, como contrapartida, 3.600 milhões de reais. Depois de pronto vamos gastar ainda no equipamento! No asfalto, a prefeitura está gastando mais 10% de contrapartida, coisa que nunca foi paga anteriormente em Saquarema e que agora é uma exigência do Tribunal de Contas. Então, a prefeitura de Saquarema, o governo Franciane – que todo mundo dizia que não tinha experiência administrativa – está dando show! Pagou em dia o salário dos servidores, pagou o 13º salário em novembro, não ficou devendo a ninguém, não deu calote em ninguém, não mandou fazer as coisas e depois disse que não tinha como pagar… Então ela vem dando uma demonstração de responsabilidade fiscal e fazendo muitas coisas. Por exemplo, reformando e fazendo escolas. Franciane vai fazer obras que vão mudar Saquarema. A praça de Saquarema, por exemplo, que foi a única obra em Saquarema feita com verba do governo Federal (em que eu não participei de nada), ao lado do Clube Saquarema, nós vamos recuperá-la e fazer uma academia de ginástica para a terceira idade. Vamos fazer uma tenda cultural na antiga casa da pedra. Compramos um terreno por 650 mil reais pra fazer uma grande escola de reciclagem e aperfeiçoamento do professorado, com anfiteatro, no Porto da Roça. Eu, como deputado, estou empenhado em trazer verbas e a prefeita Franciane de conseguir economizar para as contrapartidas. O prefeito anterior fez um concurso público e não chamou ninguém! A justiça obrigou e nós tivemos que chamar os concursados de 2007! Então, a gente está administrando com dificuldade, mas também com tranquilidade. Ela não precisa enganar ninguém; ela aceitou ser prefeita como alguém que aceita uma missão, não pelo cargo, não pela volúpia do poder, mas por interesse ideológico e interesse de poder se aperfeiçoar como figura humana, fazendo o bem às pessoas. Nessa enchente, ela não se eximiu, foi para as ruas. Eu ajudei como pessoa, como cidadão; saí comprando coisas para ajudar nos abrigos, sem querer aparecer, porque era um momento trágico. Então, estamos revolucionando a Cidade.

O Saquá: Mas o choque de ordem foi criticado por muita gente…

Paulo Melo: Eu sei, mas também recebo e-mails de gente que acha que a prefeita tem que ser mais firme. É um absurdo uma pessoa ir ao posto do INSS e não conseguir andar na calçada e ter que atravessar a rua ou andar dentro da varanda de um restaurante famoso de Bacaxá. Tiramos da praia de Itaúna uma varanda em cima da areia. Não perseguimos ninguém não; é porque é um absurdo! Eu não construo na rua; eu não peço que tenham parcimônia comigo. Quando é para cumprir a lei eu cumpro! Não vou à prefeitura , quando meu filho é multado, para tirar a multa; eu pago a multa! A prefeita inclusive diminuiu o valor do depósito de carros substancialmente, para que todos possam pagar, para que não dependam de favores de políticos. Hoje há respeito à coisa pública. Agora já não se vê mais um monte de carros no posto de gasolina, abastecendo indiscriminadamente; pessoas indo para o jogo à custa da prefeitura; passeando à custa do dinheiro público. Eu acho certo o que estamos fazendo, porque um trabalhador, que muita das vezes não tem o que levar para seu filho comer, fica indignado com alguém usando o dinheiro público como se fosse seu, particular! Então, estamos tentamos mudar. Eu tenho o sonho e a prefeita também de que esse Polo Industrial de Sampaio Correia, quando instalado, efetivamente, venha a gerar, em 2 anos, 3 mil empregos e, em 4 anos, 6 mil empregos. Estamos concluindo a escola técnica, com capacidade para 1000 alunos. É uma obra extraordinária. Recebi um e-mail do governador garantindo um repasse no valor de R$ 11.990.907,00, como complemento da obra da Escola Técnica que vai totalizar 26 milhões. Para Jaconé, estamos buscando ajuda. A prefeita Franciane esteve em Brasília, no Ministério das Cidades, para conseguir uma verba recorde de quase 80 milhões para fazer uma macrodrenagem em Jaconé, visando acabar com as enchentes. Vamos comprar agora equipamentos para agricultura; um investimento de mais de 1 milhão. Estamos conseguindo um financiamento no Banco do Brasil para equipar a prefeitura com máquinas e caminhões. A gente quer fazer muito pela cidade: Franciane como prefeita e eu como deputado estadual.

O Saquá: Inclusive o aterro sanitário que é bom para a população e para o meio ambiente…

Paulo Melo: Nós temos que fazer isso rápido. O aterro sanitário nos moldes atuais de preservação ambiental é fantástico! Às vezes as pessoas se desgastam discutindo uma coisa que não entendem. O aterro sanitário é a salvação para cidade e para os lençóis freáticos! Temos também a Barra Franca, que é muito importante para o meio ambiente. E se a gente não tivesse a barra aberta nessa enchente? O que seria do Boqueirão, de Barra Nova e do centro de Saquarema? Vamos fazer um novo mole, com uma dragagem mais profunda no mar, num total de quase 30 milhões de reais, e uma dragagem na Lagoa de Saquarema, de 16 milhões de reais. Imagina trazer todos esses recursos para a cidade! Eu estou trazendo, junto com governo do Estado.

O Saquá: Têm muitas pessoas que não sabem o papel do líder na articulação entre os governos municipais e o governo estadual, entre outras funções.

Paulo Melo: Ser líder do governo pode ter um significado muito grande ou não. É como jogador de futebol; você pode ser um grande jogador de futebol ou não. A questão é que você tem que criar premissas na vida pública; estabelecer caminhos. Tem gente que vai para política querendo poder, nomear secretários, fazer isso e aquilo. Eu fui para política querendo fazer! Eu, por exemplo, nunca nomeei um secretário de estado, porque sempre entrei no gabinete do governador demonstrando lealdade, garra e determinação. E sempre demonstrei que minha contrapartida era realizar. Eu nunca pedi favores pessoais; tudo para minha cidade, para minha região! O governador Sérgio Cabral diz que, quando era presidente da Assembleia – e eu era apenas um deputado iniciante – se ele tinha que falar por mim junto ao governo do Estado, eu ia junto. Ele era o interlocutor e eu só pedia obras, realizações. Mas tem deputados que não fizeram nada! A minha metodologia é realizar, é fazer, porque eu quero deixar um legado para população. Eu quero que, mesmo aqueles que me criticam, lembrem do que eu fiz; que aqueles que não gostam de mim, e que jamais votaram em mim, reconheçam o que fiz. E quero fazer muito mais! Ou seja, vou jogar com determinação, enquanto o jogo durar e eu estiver escalado.Eu pretendo ser escalado para um jogo de mais 4 anos… Tenho o sonho de disputar a presidência da Assembleia. Tenho o apoio incondicional do governador Sérgio Cabral e do presidente Jorge Picciani, que é meu candidato ao senado. Vamos trabalhar para isso. Então ser líder do governo só tem sentido se a gente puder ajudar um governo que trabalhe e prime pela transformação e do qual você seja uma peça transformadora nesse processo.

O Saquá: Quais as suas considerações sobre este momento pós-enchente em Saquarema?

Paulo Melo: A enchente foi triste. Afetou Saquarema, Araruama, Rio de Janeiro, afetou Niterói tragicamente, com ceifamento de vidas humanas, onde famílias foram arrasadas. Aqui nós tivemos a fúria da água, que entrou em vários lugares e assolou comunidades. Em alguns bairros, 3 dias depois as águas já haviam baixado, em outros não. Na semana passada uma eleitora, na rádio, me criticava dizendo que eu culpo a natureza; eu não culpo a natureza, não. É a natureza, sim! Aqui em Saquarema, por exemplo, o lençol freático é muito alto e com a chuva os terrenos ficam alagados. Tem bairros que estão abaixo do nível do mar, como o Boqueirão e Jaconé. Mas a Franciane trabalhou firme, foi determinada.

O Saquá: E o cemitério que desabou?

Paulo Melo: O cemitério tinha um laudo da Defesa Civil há 12 anos. A última obra no cemitério foi feita pelo Dr. João Alberto Teixeira de Oliveira. O prefeito anterior ao anterior sabia que tinha que fazer contenção do muro, mas não fez. O anterior também não fez. Franciane foi alertada pelo responsável da Defesa Civil, fez uma visita ao local e constatou a urgência da obra. Infelizmente o memorando foi feito numa quarta-feira e na segunda-feira foi aquele dilúvio. Quem pode prever isso? Nós vamos fazer a obra. Mas eu acho que a grande obra que a prefeita Franciane pode fazer é um processo licitatório para a construção de um novo cemitério na cidade de Saquarema, nos moldes do Jardim da Saudade, no Rio. E, se ela precisar da minha ajuda, estou pronto a ajudar. Eu estou na política há 20 anos. Tem pessoas que me criticam, mas outras me elogiam. Ás vezes extravaso; às vezes falo de uma maneira polida, outras vezes não. Mas a gente trabalha no stress do dia a dia. Eu durmo à meia noite, 1 hora, e acordo às 5:30 h, 6 horas da manhã, todos os dias. A gente vive e trabalha pela cidade. Olha só como era o Verde Vale, o Boqueirão, o Gravatá, o Porto da Roça, o Condado de Bacaxá, Vilatur, Itaúna, o Retiro, o Rio da Areia. Como eram antes? Será que ninguém vê? Será que as pessoas, sem nenhum ranço político, não entendem o que foi feito? Eu acho que trabalhamos muito. Durante 8 anos, tivemos uma administração que nós ajudamos, desde o primeiro dia. E graças ao bom relacionamento com o prefeito Peres, foi possível trazer muitas obras para Saquarema, o que não foi possível em Araruama.Veio a administração de Franciane, que em um ano, está realizando o que nenhum outro governo anterior realizou. Franciane, em um ano, está fazendo uma transformação. Infelizmente a gente está enfrentando dificuldades criadas pela politicagem, pelo populismo barato, pela falta de responsabilidade. Hoje, você vê pessoas reclamando e morando em terrenos que foram doados por interesses políticos, sem nenhuma infraestrutura, sem nenhuma preocupação. Eu falo isso com muita tranquilidade, por que não é o tipo de política que eu faço. Eu faço política de realizações. Hoje, nós estamos analisando a invasão da Manitiba, com vários terrenos doados em áreas que não são permitidas… O que nós queremos é construir uma Saquarema melhor, que sirva para todos. A mentalidade tem que ser mudada. A pessoa tira a sujeira da casa e joga na rua, sem respeitar o vizinho; faz da calçada um depósito de lixo, corta a vegetação e acha que a calçada é a roça da lida… Estamos tentando mudar tudo isso! A Secretaria de Educação está fazendo uma revolução; a Secretaria de Promoção Social também. Então, estamos trabalhando. A prefeita é Franciane; quem manda é Franciane, quem assina o cheque é Franciane, mas quem busca o dinheiro para ela poder assinar esse cheque sou eu! A gente trabalha em conjunto: ela como prefeita e eu deputado, beneficiando a população. Hoje mesmo, ela me chamou no gabinete e pediu que eu ajudasse a trazer mais veículos para transporte de doentes. Já entrei em contato com as autoridades… Em casa, não discutimos nada de prefeitura, a não ser quando acontece uma coisa como a enchente. Quando ela chega em casa, é Franciane Melo. Aliás, é Franciane Motta, porque ela foi orientada a não usar o nome Melo. Mas em breve ela assinará Franciane Melo, se Deus quiser.

O Saquá: O deputado está anunciando casamento?

Paulo Melo: Em breve, tá bom? De resto é só agradecer aos profissionais de imprensa, a vocês do jornal O Saquá e a outros jornais responsáveis que não são mercenários, que sabem das dificuldades do município, que não receberam um tostão de publicidade da prefeitura, mas ficaram firmes, com lealdade, com decência, com jornalismo altivo, sem partidarismo. Quero agradecer a todos vocês da imprensa, através do seu jornal. Agradecer essa decência jornalística. Sabe, tem alguns jornais (que a gente nem precisa falar) que são mercenários da notícia. E tem aqueles que fazem da notícia uma mercadoria da cidadania.

Capa O Saquá 120

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Matéria publicada na edição de maio
de 2010 do jornal O Saquá (edição 120)

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