Sururu de bode e outros casos

Plantão de Polícia - AG Marinho

Sururu de bode

Leonildo, 36anos, tem um grande sítio em Rio Mole, mulher, oito filhos, um bode conhecido como bozeta e duas amantes que, por serem irmãs, dividiam pacificamente as carícias do amado “Leo”. Há alguns dias passados, como fazia sempre, a esposa titular foi arrancar aipim e flagrou o marido no roçado fazendo nheco-nheco com o bode. No hospital, aonde chegou todo lanhado na porrada, nada disse. Ao apresentar queixas na delegacia, coberto de hematomas, gaze e esparadrapo, afirmou ter sido espancado com cabos de enxada pelas três mulheres. Chamadas, as agressoras amantes disseram que apenas ajudaram Marcelina a dar uma coça no marido “não só pelo motivo da cena com o bode, mas porque descobriram que antes de começar a seção sacanagem com o bicho ele furtava o batom das mulheres e passava na boca de bozeta”.

O buraco da famosa

A esquiadora russa, 22 anos, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Vancouver, Lascovinieva Escaralhoviska, que perdeu a medalha de ouro porque tomou um destronca rabo, decolou despentelhada por sobre o obstáculo congelado e se lascou toda arreganhada em cima de um blocão de gelo pontiagudo, mas mesmo assim fez o segundo melhor tempo da competição, se desfrangalhou de amores por um jornalista da TV brasileira e na semana passada voou para o Rio, “pra dar uma esquiada no asfalto quente”. Deslizou calorosa por Copacabana, Búzios, Cabo Frio e Saquarema, mais especificamente Costão da Igreja, onde sua mochila foi furtada enquanto trocava beijos de língua no buraco do guaiamu. Segundo o jornalista, os lalaus levaram uma sofisticada máquina fotográfica digital, algumas calcinhas, que ela nem usava para não assar as virilhas no vai-e-vem dos esquis e três garrafas de vodca russa que seriam consumidas para esquentar a relação que começou há muitos graus abaixo de zero.

Mordido pelado

Adálcius, carpinteiro, 22 anos, Jaconé, perdidamente apaixonado pela vizinha casada, num gesto tresloucado exibiu-se inteiro, pelado, amante fervente, mostrando o bilau e a buzanfa careca e branca. Um cabelinho aqui, um pentelinho ali e lá foi ele nu pela rua da madrugada escura carregando um desarranjo de flores do mato para oferecer a sua amada. Ajoelhou-se na entrada, tocou a campainha e esperou que a sua deusa saísse trajando uma camisola fina e transparente, presente do marido que sabia não estar em casa. O portão automático foi acionado, saiu disparado um pit-bull sarado, conhecido como peido do diabo que, desfigurado, só para iniciar, lhe deu uma bocanhada na cara arrancando um pedaço da bochecha. As outras mordidas, num total de trinta e duas, por milagre salvo o bilau, foram distribuídas pelo corpo inteiro. O amante fervoroso, agora febril e infeccionado, está sendo tratado com antibióticos, injeções contra raiva canina e banho de descarrego contra peido de diabo.

Rasgada no forró

Desde que o marido de Colotilde, 53 anos, Vilatur, morreu de picadura de cobra peçonhenta, que a viúva, para evitar o stress da saudade, caiu destrambelhada no forró das caçambeiras, realizado na barraca do Mafuá da Maroca, na divisa de Saquarema com Araruama. Tanto sacudiu a maromba murcha dentro de uma micro saia modelo “cerol nos fundilhos”, que o sanfoneiro do engoma cueca agarrou a encalhada, levou pro matagal e possuiu a viúva de forma extravagante e violenta.  Esfarrapada, sem saber se tinha passado por uma seção de sexo ou espremida numa moenda de cana, foi atendida no posto de emergências médicas, aonde chegou desmilinguida e desidratada. Exaurida e descabelada não se frustrou em contar a autoridade policial os picantes detalhes do ocorrido sem, no entanto, se queixar ou negar de ter sido rasgada na macega fazendo sexo permitido.

Capa O Saquá 119

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Casos publicados na edição de abril
de 2010 do jornal O Saquá (edição 119)

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.