Da lamparina ao robô, o futuro chega as UTIs

Enfermagem - Dr. Renato José dos Santos

Em 1854, a enfermeira britânica Florence Nightingale, com 34 anos de idade, preconizou a criação de unidades especiais para tratar feridos graves na guerra da Criméia nos campos de Scurat. Naquela época, a lamparina era o instrumento mais importante na manutenção da vigilância constante. Em 1926, nasceu a primeira UTI na cidade de Boston, nos Estados Unidos. No mesmo período a ventilação mecânica foi criada pelo fisiologista Philip Drinker; seres humanos podiam ser mantidos em verdadeiras máquinas, permitindo a assistência ventilatória artificial. Monitores, desfibriladores, bombas de infusão, camas elétricas, hemodiálise e antibióticos foram descobertos em 1930.  Evoluindo, as unidades emergenciais e intensivas ampliaram protocolos, efetuaram procedimentos invasivos complexos e passaram a contar com a tecnologia diagnóstica radiológica, ultrassonográfica, tomográfica e magnética.

A década de 70 foi definitivamente a do diagnóstico por imagem. Hoje, profissionais são treinados para o tratamento exclusivo com pacientes críticos; nasceu o intensivista especializado, dominando a técnica e coordenando o complexo atendimento do suporte avançado de vida ou métodos extraordinários. São mais de 150 anos de história e mais de 100 de pura tecnologia. Nos Estados Unidos e na Europa, houve redução da mortalidade. No Brasil as primeiras unidades nasceram a partir de 1970. Hoje a Sobrati (Sociedade brasileira de Terapia Intensiva), aproxima-se de uma nova etapa que irá mudar o atendimento nas UTIs com a telemedicina, robótica, mecatrônica e a informática que estará auxiliando o paciente crítico. Como um filme de ficção científica, a maior empresa de telecomunicação do mundo, Cisco Company, parceira dos projetos espaciais da NASA, tem estabelecido conexão remota wireless através de satélite, onde permite interação entre intensivistas de todo o mundo.

Assim, a rede mundial intensivista (RMI) está criada. Robôs já circulam em UTIs, examinam pacientes, conversam com eles e com a equipe especializada. Ficção? Não, realidade. Numa experiência começada há 4 anos nos EUA, os robôs mostraram em pesquisas que são capazes de humanizar as UTIs. É incrível! A equipe, o paciente e a família sentem-se protegidos por uma rede científica capaz de proporcionar ajuda imediata, resolver casos complexos, conectar especialistas mundiais em doenças específicas.  Milhões de dólares já foram investidos na tecnologia robótica intensiva (TRI).  Na América Latina, o Brasil sai na frente. Seremos o primeiro país a participar da rede mundial de intensivistas. O futuro está próximo, caro leitor. Entretanto, enquanto ele não chega, vamos fazer pelo menos o nosso atendimento básico que é humanizar o nosso atendimento junto aos nossos clientes.


Capa O Saquá 119

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Artigo publicado na edição de abril
de 2010 do jornal O Saquá (edição 119)

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Sobre o autor

Renato José dos Santos é enfermeiro. E-mails: renatojsantos@uol.com.br e renatojsantos@petrobras.com.br.