Piru assado e outros casos

Plantão de Polícia - AG Marinho

Piru assado

Apertado, Valmir Carlos, 35 anos, escolheu a palmeira da subida da ponte, baixou as calças, liberou o enorme da cueca e alagou a raiz da árvore com uma espumante mijada. Passando no local, fantasiados de piranha, dois dos trinta agentes do serviço secreto que foram infiltrados na cidade, resolveram dar um flagrante no mijão que, confundindo o ato, achou que estava sendo “cantado” pelos agentes e falou um monte de gracinhas com o bilau de fora. Levou uma rasteira, torrou o piru no asfalto quente e um monte de chutes na bunda.

Bloco da farinha podre

Enfurecida, Maria Zica, 43 anos, que investiu uma grana na compra de mil e duzentos quilos de trigo para suprir o Bloco da Farinha, além de não vender nada foi expulsa da cidade e teve o seu veículo escoltado por policiais até os limites do Município, onde recebeu ordem de sumiço. O veículo foi preso no Rio e, segundo informações, a farinha era proveniente de carga roubada e estava com o prazo de validade vencido.

Bunda flutuante

O Salvamar Saquarema registrou durante o carnaval sessenta e sete casos de afogamento, sem vitimas fatais, nas diversas praias do Município. Uma das afogadas, uma senhora pesando uns noventa e oito quilos de banha e mais uns vinte de água salgada ingerida, disse que não morreu por que a sua bunda estofada era falsa, recheada com duas placas de isopor.

Machos de Belzonte

Sete rapazes mineiros, todos da mesma família, que baixaram a sunga para urinar no muro do Correio, no centro da cidade, apresentavam inscrições tatuadas com rena nas nádegas. Uns informavam que a área estava à venda, outros para aluguel temporário ou permanente, um dizia que já tinha dono e outro informava que dava de graça mesmo. Na madrugada de terça-feira, os mesmos rapazes, ainda tatuados, foram vistos completamente pelados, fingindo empurrar um carro enguiçado na Av. Salgado Filho, cantando uma música que dizia: “o macho da minha mãe, agora é meu”.

Pan sexual

Um animadíssimo bloco levando uma figura com três metros do imortal roqueiro Serguei, passou cantando “a perereca da vizinha”. Uma bicha fantasiada de “OB”, olhou para afigura e gritou: “Viva Dercy Gonçalves. Maravilhosa”. Cale a boca, seu viadinho burro, aquela é Maria Gabi Gabriela. Que duas bichas velhas burras, aquela é Ebe Camargo desgrenhada com a ventania, disse uma outra. Quando o bloco dobrou a esquina, uma senhora elogiou e disse que a figura era uma bela homenagem a “Rita Pavone”. Foi ai que uma velha sem dentes que chupava picolé afirmou: “parece mais com Zuila da Rezinga, depois que pintou os cabelos de loiro, ficou cega e foi atropelada por um caminhão de ferro-velho, em Sampaio Corrêa”.

Competência do coronel

Foram brilhantes as atuações da Guarda Municipal, dos Ficais de Postura e do Salvamar de Saquarema, durante o período de carnaval. A rapaziada, incansável, sob o comando do Coronel Romeu, Secretário Municipal de Segurança e Ordem Pública, orientou, informou, multou, reprimiu, apreendeu, ajudou, colaborou, prestou socorro , salvou vidas e auxilio moradores e turistas que lotaram a cidade. Multas de trânsito foram aplicadas pelos mais diversos motivos. Venceu a fila dupla e o estacionamento em portões de garagens. A invasão de camelôs foi contida e não houve espaço para as grandes confusões observadas em anos anteriores.  Os serviços reservados, P2, da PM, da Polícia Civil e da Polícia Federal, reprimiram o tráfico de drogas. De sexta a quarta-feira, agentes observaram durante vinte quatro horas a movimentação de aviões no campo de pouso de Saquarema. A população, em reconhecimento, aplaudiu os serviços prestados a comunidade.

Moradores aplaudem a repressão ao bloco da farinha

As polícias Militar, Civil e a Guarda Municipal, não deram chances ao Bloco da Farinha que, há muitos anos, é odiado pelos moradores e especialmente pelos comerciantes de Saquarema que sofrem com os seus estabelecimentos invadidos e emporcalhados. Irreverentes e abusados, componentes do bloco na têm limites em suas brincadeiras de mau gosto atirando farinha de trigo no rosto de homens, mulheres e crianças, no interior e nos vidros dos veículos que, em seguida, recebem um banho com água suja, produzindo uma massa que, fermentada pelo calor, vira uma pasta podre e fedida que durante semanas sufoca a cidade. A farinha, estocada e comercializada em combs que seguem o bloco é vendida as toneladas. Participantes afirmam que no ano passado foram comercializados e espalhados na cidade mais de três mil quilos do produto, o que além de ser um desperdício é uma afronta as pessoas carentes de alimento. Mesmo diante de todo um esquema de repressão, alguns pouquíssimos componentes conseguiram furar o bloqueio e, na tentativa agressiva de sujar as pessoas, partiram para o confronto com a PM, que enfrentou os farinheiros com jatos de spray de pimenta, fazendo debandar o grupo. Moradores afirmam que o Bloco da Farinha sempre foi o lado negativo do carnaval em Saquarema.

Capa O Saquá 118Casos da edição de março
de 2010 do jornal O Saquá (edição 118)

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.