Recibo de extorsão e outros casos

Plantão de Polícia - AG Marinho

Recibo de extorsão

Danny, 27 anos, ia passado, assim dispirocado e meio distraído, baratinado no tempo, chutando cavaco no meio da rua, quando bem na frente do Shopping de Saquarema achou uma motocicleta que, segundo ele, alguém perdeu, mas que ele sabia quem era a dona. Cauteloso, levou a motoca pra casa, deu um banho, lubrificou, alimentou e poliu a “égua” e saiu em campo à procura da proprietária do veículo. Achou e cobrou R$200,00 para entregar a Honda. Berta, que no dia estava banguela, seca e arreganhada de tão dura, ofereceu cinquentinha na mão. O resto dava depois. Passado alguns dias, aporrinhada e pressionada, deu o restante, mas exigiu um recibo. Ele deu e se escafedeu. O documento foi usado para processar Danny por extorsão. A polícia de Saquarema não acreditou no “achado” e registrou. A de Araruama meteu o sortudo no xadrez. Em sua defesa Danny afirmou que tudo não passa de “historinha inventada por Berta” e que o recibo é resultado de uma grana que lhe era devida pela motoqueira distraída.

Mega-sena cabeluda

Tarde de domingo, sol gostoso de início de primavera, Praia da Vila lotada e forró comendo solto no quiosque. Phillip, 34 anos, australiano, bonito, sarado e cheirado, ficou pelado e desfilou pelas areias, bilau ao vento e pentelhos ao redor. Carmem há muito carente de tal imagem, desmaiou congelada se babando toda. O mulherio contorcido se abanava fazendo o coro do “deixa ele”. Os machos, revoltados e cheios de inveja, esbravejavam: “cobre ele” – de porrada. Um babaca, baixinho, chegou a dar diversas chineladas na bunda do gringo. A praia virou uma festa no bordel enquanto as banhistas ansiosas aguardavam a saída do “Adão” da água. “Leva lá pra casa pra tirar o sal”, esperneava uma encalhada do Porto da Roça. “Deixa eu passar filtro solar nessa coisa cabeluda “, se esgoelava uma baranga pelancuda, atochada de cachaça e celulite. “Joga areia na bundona dele”. Disse o moço da camisa cor de rosa. “Joga no rego da tua mãe, sua bicha safada, desnutrida, vagabunda”, protestou a gatinha da canga azul. Um ex-membro do Ministério Público, presente ao fato disse: “Leva pelado pra delegacia para que seja, em flagrante, configurado o obsceno ato de atentado ao pudor”. A última a se pronunciar foi Dona Lucinda, 73 anos, que assim definiu a cena: “Isso não é um bilau. É prêmio da mega-sena acumulada, com um monte de cabelo em volta”. O moço foi preso e passou o resto do domingo na delegacia.

As safadezas da mamãe

Ernesto, 29 anos, dez de casado, pai de seis filhos machos e duas fêmeas, era, na medida do possível, caseiro e dedicado a sua prole. Trabalhador, dois empregos, ainda fazia hora extra para garantir o rango que ele achava ser para família, mas a sua mulher, Alzira, 30 anos, Vilatur, que é muito da chegada num pinhão roxo e adora um remelexo no gargalo do garrafão, dividia não só as compras do mês, mas também o dinheiro destinado a casa com os amantes, transformando o marido num corno de supermercado. Na semana passada os filhos resolveram contar ao pai as “galinhagens da mamãe”. Desvairado, Ernesto depenou Alzira na porrada que, mesmo toda estrunchada, conseguiu atravessar a goela do marido com uma grossa chave de fenda. Ele continua internado em estado gravíssimo. Ela foi presa e durante o depoimento disse: “Aquele corno era muito bom para botar comida no armário, porque na cama há muito tempo que não botava nada em lugar nenhum”, e concluiu afirmando que dos oito filhos só o primeiro é do marido, “o resto é do DNA”.

Artigo publicado na edição 113 do jornal O Saquá

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O gostosão do Tingüí

Erivelton, 23 anos, caseiro de um sítio no Tingüí, é um mulato apetitoso que costumava trabalhar de sunga e sem camisa, atitude que ouriçava a peruca da dona da casa. Resultado: duas ou três vezes por semana o caseiro roçava o gramadinho da patroa.  Tanto futucou a jardineira e aparou o grama que foi flagrado pelo dono da máquina, exatamente no momento em que engatava o cabo na tomada. Do curto circuito resultou um festival de porradas. Rogéria, a patroa, 39 anos, toda descadeirada, teve o centro da cara atingido por um espremedor de suco e chegou ao hospital com a orelha pendurada no brinco. Roserval Junior, o marido, 43 anos, tomou uma saraivada de pau com um taco de bilhar e, além de ficar caolho, ainda deu entrada no posto de emergência com o saco da hérnia todo arregaçado e precisou ser operado. Erivelto, o apetitoso, quebrou dois dentes da frente e rasgou o lado esquerdo da bunda quando voou por cima de uma cerca de arame farpado, no momento em que Roberval passou a mão num 38 cano longo e mandou bala em cima de tudo e pra todo lado.

A “filha” do traficante

Jorge, Ricardo, Flávio e Marcelo, casos conjugais reconhecidos e juramentados, resolveram passar o final de semana na Praia de Itaúna. Não deu outra. Flávio deflorou-se em rosas e tulipas pelo surfista do pranchão havaiano, enquanto Marcelo derretido se dissolvia por um guarda-vidas malão. O grupo nem precisou voltar para o hotel, o barraco da bicharia desmoronou mesmo no meio da rua. “Sua égua no cio, você é uma galinha da ressaca, piranha da água salgada, vou quebrar os dentes implantados da sua boca, sua vagaranha com bunda de silicone industrial”, gritava Jorge, enquanto injetava um montão de tabefes nas fuças de Marcela da Cinelândia. Ricardo, marido de Flaviana da Lapa, chamou a “esposa” de “mariposa do sol quente, bicha do rabo operado, galinha da FEBEM”. Mas quando berrou que ele é o “filho viado rejeitado, enjeitado e repudiado de um famoso traficante do Rio de Janeiro” então a coisa ficou preta em Iraúna.
Aos tabefes e empurrões o grupo embarcou numa caminhonete Pajero, cinza dourada, novinha, dirigida por Flávio que, no alto do Morro da Cruz, tentou jogar o veículo pelo despenhadeiro abaixo, mas colidiu com um ônibus de excursão, causando apenas ferimentos leves nos passageiros do carrão importado.

Fuzuê no forró do grilo

Lúcio contratou o espaço da barraca Brumas do Mar, em Praia Seca, e promoveu um bingo. Entre os prêmios: dois frangos congelados, um filtro de barro, um saco de ração de cachorro, duas latas de goiabada NOLASCO, uma bengala, uma caneca de ágata e um óculo escuro de camelô e como primeiro prêmio uma cesta básica. Todos surpresa. Cada cartela vendida por dez reais, dava direito a uma garrafa de cerveja e como no local também era realizado o “Forró do Grilo Duro”, o reduto ficou entupido de gente.

“Númuro dizeoito B” – cantou o chefe da jogatina, um coroa banguelo e no maior porre da história dos cassinos clandestinos de Saquarema. “Bingo” berrou Etelvina da Rezinga, que também tava beba ao abiscoitar o primeiro prêmio. Mas quando entregaram a tal cesta básica a festa virou uma orgia de vaias e palavrões incontidos. A ganhadora não fez por menos: “Enfia essa m.. no buraco mais próximo do lugar onde você toma injeção, seu canalha ordinário”. A mãe da vencedora chamou seu Grilo de “prostituto macumbeiro e safado”. Os jogadores queriam linchar o homem e como não conseguiram, derrubaram e tamparam fogo na barraca, tudo porque dentro do pacote premiado havia: um quilo de fubá, um de farinha, um e meio de aipim, um de bucho de vaca e dois bagres salgados.

Sociais

Após dois anos como delegado titular da 124º- DP, Delegacia de Saquarema, Dr. Agláusio, foi transferido e vai ocupar a delegacia de São José do Vale do Rio Preto. O novo titular será o Dr. Sérgio Lorenzi, policial altamente experiente e com grande conhecimento dos problemas que afetam a segurança no interior do Estado. Leia mais aqui.

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.