Tecnologia e poesia?

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Para alguns, já estamos na era de Aquarius, com o predomínio da tecnologia; para outros, (a maioria), em transição para ela. Seja como for, vivemos dias conturbados, em que, por um lado, constatamos notável desenvolvimento tecnológico; e por outro, ainda encontramos no mundo milhões de famintos…

Aí nos perguntamos: será que a evolução exacerbada da tecnologia teria contribuído para o homem se sentir mais feliz? Vivemos a era das comunicações, mas, paradoxalmente, o ser humano se sente cada vez mais só. “Formamos hoje, verdadeiros arquipélagos de solidões”, lembra Tarcísio Padilha. “E o homem não foi criado para viver a solidão do desespero ou da indiferença”, conclui o citado filósofo e ex-presidente da ABL.

Em julho passado, na Califórnia, alarmados, cientistas especializados em computadores, inteligência artificial e robôs discutiram “se deve haver limites para avanços tecnológicos que podem levar a uma perda do controle humano sobre sistemas computacionais cada vez mais usados pela sociedade”.

Isto porque, hoje, já existem robôs capazes de abrir portas e encontrar tomadas por conta própria; virus de computador que ninguém consegue deter; aviões não tripulados operados por controle remoto, já considerados armas letais…

Enquanto aguardamos as conclusões desse encontro científico, para aliviar a tensão e deixar o espírito mais leve, nada como recorrer às belas poesias de Neide Archanjo: “Poeta,/tu tens a rosa./O mais são flores”; de Wanda Brauer: “Almas se sentem/e se guardam para sempre…; ou de Latuf Isaías Mucci, em seu expressivo e recente “Águas de Saquarema”: “Noite de luar/cheiro de jasmim/Em mim: estrelas”.

Abraços Afetuosos!

Texto publicado na edição 112 do jornal O Saquá

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.