Ensopado de chumbinho e outros casos

Plantão de Polícia - AG Marinho

Ensopado de chumbinho

Enfeitar a cabeça do seu homem foi a única forma de vingança que Marleya, 32 anos, encontrou para punir Alfredo, de 33, “corrupto sexual”, assim descrito pela esposa irada e disposta a tudo, quando descobriu que, entre outras amantes, havia uma menor de 15 anos, esperando o segundo filho do seu ex-amado esposo. Que nem cabrita no cio, não havia cerca no bairro, onde residia, que Marleya não fosse capaz de pular para sacanear Alfredo e, consequentemente, baixar o próprio fogo alimentado pelas traições do marido garanhão. Nos últimos cinco meses, sempre que “Fefedo” procurava a esposa, no leito, era rejeitado e, como dona de casa, pouco se importava com a culinária e outras tarefas domésticas.

Após um ano de mútuas traições, acusações, brigas, agressões morais e físicas, Marleya caprichou na receita da moranga com carne seca e temperou o rango do maridão com uma super dose de chumbinho.

Alfredo agonizou durante 4 dias, em casa e no hospital onde morreu por falência múltipla dos órgãos. Ao ser presa, Marleya disse que comprou o veneno de um camelô, em Cabo Frio, pagou R$ 6,00 pelo frasco e pode pegar 20 anos de cadeia pelo homicídio.

Quadrilha de Muquiranas

Acompanhado de 2 menores, Ivan, 23 anos, residente no Palmital, foi reconhecido como um dos autores do assalto à mão armada praticado no interior de um ônibus que fazia o trajeto Saquarema/Rio Bonito. O crime, que rendeu aos assaltantes a quantia de R$ 40,00, foi tão muqui-rana e vagabundo que a arma usada pelos 3 assaltantes foi esculpida numa grande pedra de carvão de churrasco e forrada com papel de alumínio colado com catarro. Segundo o menor escultor, era uma arma de brinquedo “descarratável”, feita para ser queimada logo após o ganho. Durante o assalto um dos “garotos” deu uma gravata no motorista antes de roubar o dinheiro. A polícia chegou e meteu a tranca nos escultores carvoeiros, que foram obrigados a dormir gravateados na delegacia de Saquarema.

Tarado da linguiça de fumeiro

Famosa e muito querida na cidade, a aposentada conhecida como Maria Hotel, trabalha como petisqueira noturna, assando churrasquinho na porta de um bar localizado nas proximidades da igreja. Às quatro da manhã de domingo, apagou o braseiro e, espichada no salto e espetaculosa no rebolado, voltava para o apartamento onde reside nas proximidades da prefeitura, quando foi abordada por um morenaço, bigodão estilo sarapatel com angu, espadaúdo, envernizado, feições de tacho de fogão a lenha e sobaco com cheiro de linguiça defumada. Depois de agarrada, beijada, lambida, esfregada e sanfonada, conseguiu se livrar, correr e entrar no apartamento onde reside. Apavorada e possuída por stress pós-tarado, se trancou acometida pela “síndrome calabresa”, causada por traumático esfregaço de bigode crespo com gosto de ranço de torresmo defumado.

A besta do “coronel”

Carlos Antônio, 52 anos, sempre foi conhecido e respeitado na região de Saquarema por ser “Coronel da Polícia Militar”. Isso até o dia em que os policiais Cabos Mendonça, Verdan e Cândido, resolveram futucar o “Coronel”. Não deu outra. Era mais falso do que nota de R$30,00. Deram um sacode na “autoridade” e encontraram um canivete escondido na cintura bem na direção do rego. Aí passaram a piaçava no carro e encontraram uma pistola PT 100 AFS, ponto 40, atochada de cartuchos explosivos. Como a coisa estava ficando cabeluda, chamaram o Sargento Jeremias e partiram para a Estrada dos Cabritos, na Serra de Mato Grosso, onde o “oficial” possui uma residência. Lá, entre duas almofadas, Verdan encontrou uma pistola PT 58 s, calibre 380, socada de balas até o gargalo. A faxina continuou e ficaram estarrecidos quando encontraram uma besta, antiga arma inventada na Inglaterra no século XVII, feita para disparar flechas comuns e envenenadas. A do “Coronel”, além de seis flechas tinha uma poderosa mira telescopia de última geração, possivelmente para acertar, de longa distância, as bundas dos caçadores que estão dizimando a fauna da serra de Mato Grosso.

Corno mascarado

Geraldo, solteiro, 24 anos, residente em Jaconé, estava amaciando a franga para cravar no espeto e já se encontrava com a tocha pronta para entrar no estádio quando dois homens enca-puzados invadiram seu cafofo, amarraram o garanhão numa árvore existente no quintal do barraco e pulverizaram “Gagaldo” no cacete. Zelda, 28 anos, casada, residente em Niterói, que estava sendo depenada na cena do adultério, foi encontrada nua, desmaiada, com a bunda esbagaçada no chicote. A vítima acusou o marido e o cunhado como sendo os dois encapuzados, afirmando que reconheceu a dupla pelas roupas que trajavam e que o seu marido estava usando o relógio que recebeu dela como presente de aniversário.

Pelado em domicílio

Já passava das 2:40 da madrugada quando a polícia passou e flagrou Noel, 20 anos, completamente nu no portão tocando a campainha da casa da namorada, que reside não muito longe do centro do segundo distrito. Aos policiais declarou ser um Romeu apaixonado e sempre disposto a surpreender a sua amada com atitudes ousadas e irreverentes como esta na qual se propôs despir-se, mesmo numa noite gelada e ventante, para entregar, em domicílio, livre e sem escrúpulos, as suas partes pudendas tão apreciadas pela sua “Julieta da macega”. Enquanto Marina se arreganhava de prazer e orgulho por tal demonstração de tão profundo amor e total congelante sacrifício, o namorido, roxo e arrepiado, era autuado, pelado, por enrugado e encolhido atentado ao pudor.

Baforada assassina

Depois de exagerar na produção, Fátima sapecou um batom anti mau hálito, receita de uma amiga macumbeira, maquiou a cara ao estilo reboco de chapisco e partiu pra balada da madruga numa conhecida casa noturna do segundo distrito. Chegou e arrepiou a clarineta quando viu Edgard, tratorista, 32 anos, pit-bull malhado no extremo, arrasador de viúvas e desamparadas, famoso pelo tamanho do “pé”: 48 bico largo. Gatosa dengosa e arrombada de intenções malditas se arrastou toda para o garanhão fazendo o estilo “último tango no galinheiro”. Ousada, desferiu-lhe um beijo tão sacana e penetrante que desmilinguiu suas amígdalas delirantes o que, conse-quentemente, fez a moça tossir e, para piorar a coisa, extravasar um tremendo espirro difusor de catarro. Uma mui amiga segredou no ouvido meio mamado do tratorista que era “gripe suína”, originando uma tomada de satisfações que resultou num temporal de porradas e num vendaval de palavrões. Na delegacia, Fátima toda roxa, lascada e desgrenhada, pediu ao delegado que Edgard fosse enquadrado nos artigos da Lei Maria da Penha. Por sua vez, o advogado do acusado disse que: “se for comprovado que Fátima é portadora do vírus da gripe A, que pode ser fatal, e tinha conhecimento do fato, vai processá-la por tentativa de homicídio doloso, isto é, beijou com a intenção de matar.

Joel Cara de Vaca

O Delegado titular da 124º DP, Saquarema, Dr. Agláusio, ia passando pela Estrada Latino Melo, justamente no momento em que Joel, 24 anos, esfran-galhava na porrada a sua mulher Sonilda, de 57. Por furtos e outros crimes esta é a 6ª vez que Joel, que já cumpriu pena no xadrez de Araruama, fica morando no quadrado, onde declarou que a sua mulher é uma “pinguça biscateira muito da safada”. Ele afirmou ainda que Sonilda, após tomar duas garrafas de vinho, ficou despingolada e só parou de lhe cuspir ofensas quando começou a tomar pau na moela, e que a agressão só terminou com a chegada do delegado. João disse que toma remédio tarja preta, porque tem sérios problemas psiquiátricos. Sonilda, com 32 pontos na cabeça e o braço esquerdo quebrado, disse que “ele toma é cachaça de qualquer cor, porque não tem vergonha na vaca da cara”.

Possuída por belzebu

Zulmira, perfumeira, 26 anos, deixou um bilhete para querido marido Sílvio, fogueteiro, de 22, avisando que a perfumosa estaria no templo que frequenta assistindo a “cremação do demônio e a esculhambação de belzebu”. Curioso, Sílvio resolveu ver o diabo pegar fogo e o satanás virar fumaça na fogueira dos endemoniados. No templo, todo apagado, total silencio. Numa casa próxima, no vuco-vuco do ritual, só dava Zulmira que, possuída pela histórica piranha Gezebel, estava sendo desconjuntada no fogaréu de Rodrigo, seu irmão de fé, especialista em expulsar o capeta para entrar, ele mesmo, no corpo da possuída. Ao surpreender a dupla, Silvio incorporou a bruxa Meméia, passou a mão num vassourão de varrer rua e despirocou os 2 na porrada. Rodrigo Belzebu, esquartejado, está se descarregando no penico, todo engessado, sem poder andar, internado no hospital. Zulmira Gezebel, toda ponteada, está desbanguelada e com a cara desfigurada, tomando mamadeira pelo canudinho.

Texto publicado na edição 112 do jornal O Saquá

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Sobre o autor

AG Marinho é jornalista e poeta. E-mail: siragom@gmail.com.